terça-feira, 10 de maio de 2011

Não tente nos entender. Apenas nos ame!


Sou do tipo de pessoa que quando gosto de um filme ou de um livro assisto e leio o mesmo varias vezes... Quando era criança, li “O Pequeno Príncipe” e me apaixonei. Já reli varias vezes e não me canso. Fico indignada quando encontro alguém que me diz nunca ter lido esse livro. Até hoje não encontrei um livro infantil que discutisse tão bem os problemas da vida adulta como este...  Por isso indico. Leiam, é simplesmente maravilhoso.
Por que estou falando sobre o livro? Primeiro, porque é um livro que eu adoro, segundo, porque ultimamente a frase que mais tenho ouvido é; “Quem consegue te entender?” E a verdade é que nem eu mesma me entendo!?!... Mas já dizem a tempos que as mulheres são complicadas e difíceis de entender... O que me torna complicada ao quadrado, uma por ser EU e outra por ser mulher. Mas vou partilhar um texto de Rosana Braga, que eu adorei por falar um pouquinho de nós mulheres e principalmente por citar uma das partes mais lindas do livro.
“Nos entender pra que? Desistam desta idéia. Não nos entendam, não tentem traduzir nossas contradições ou fazer contas pra saber se hoje estaremos ou não de bom-humor.
Mulher deseja ser amada e não ser entendida. Deseja ter a sensação de que, dentre tantas outras, é única. Creio que o autor que mais se aproximou da alma feminina tenha sido Saint Exupéry, talvez despretensiosamente, enquanto escrevia O Pequeno Príncipe.

Quem já leu, certamente vai se lembrar da rosa, tal qual um coração de mulher...

- Ah! Eu acabo de despertar. Desculpa. Estou ainda toda despenteada.
O principezinho, então, não pôde conter o seu espanto:
- Como és bonita!
- Não é? Respondeu a flor docemente. Nasci ao mesmo tempo em que o sol...
- O principezinho percebeu logo que a flor não era modesta. Mas era tão comovente!
- Creio que é hora do almoço, acrescentou ela. Tu poderias cuidar de mim?...

E a convivência entre eles foi intrigando o Pequeno Príncipe:
É bem complicada essa flor... Pensava ele.
Mas quando saiu de seu Planeta em busca de respostas sobre a vida e o amor, um dia confessou ao amigo, na Terra:
- Não a devia ter escutado. Não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar seu perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. ... Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava e me iluminava... Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar.
Depois de se decepcionar por descobrir tantas rosas iguais àquela que deixara em seu planeta, acreditando ser a única em todo o Universo, ele aprendeu sobre cativar: se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.
E mais do que aprender a amá-la, ele aprendeu que uma flor, assim como uma mulher, pode ser única, ainda que existam milhares iguais a ela. E, então, diante de um jardim, amou enfim a sua flor:

- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém... Sois belas, mas vazias. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que matei as larvas. Foi a ela que escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
Por isso, não leve tão a sério o que dizemos. Mais do que nossas queixas e complicações, é o que fazemos que nos torna merecedoras do seu amor...”

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