quarta-feira, 4 de maio de 2011

Amizade


Hoje, senti saudade de alguns amigos que há tempos não vejo. Essa saudade me fez lembrar um dos mais lindos textos sobre a amizade, do brilhante Vinícius de Moraes.

“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor.
Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários.
De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.”

* * *

É verdade que conheço muitas pessoas, mas “amigo” mesmo são poucos…
Nunca fui de querer pra mim colegas, amigos apenas de bar, de balada, de bebedeiras, de ponto de ônibus, porta de faculdade...  Sempre acreditei na constância dos sentimentos verdadeiros, em amizades sinceras.  Então, de que me adiantaria ter amigos apenas nos bons momentos, enquanto estivesse bem, com bom humor, grana no bolso, participando de alguma festa, jogando o tempo fora, etc? Não quer dizer que eu não me dedique a pessoas que conheço ou conheci em tais lugares, mas é que na maioria das vezes essas mesmas pessoas nem sempre estão lá à procura de verdadeiros amigos. Algumas delas, nem sempre reconhecem um bom amigo...
Tenho pessoas que admiro, respeito e adooooro... Pessoas que conheci em bares, amigos de amigos meus, que conquistaram meu coração e encantaram minha alma... Irmãos e irmãs de amigos e amigas minhas que se fizeram tão especiais quanto às amizades que já existiam. Pessoas que conversei por algumas horas apenas, mas que despertaram um sentimento verdadeiro em mim.
Como no texto de Vinicius;

“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.”

E tem dias, que o fato de alguns deles não perceberem isso, faz meu coração ficar apertaaaado...  Me questiono, por que não sabem? Por que não reconhecem? Talvez pelo fato de eu não viver lembrando o quanto gosto deles, será que não estou adubando muito bem minhas amizades? Ou simplesmente o fato de ter conhecido alguns deles em situações meio superficiais fazem com que não consigam entender o quanto me cativaram...  A alguns deles tento manter mais contato, mando e-mail, um telefonema de vez em quando, uma mensagem, Orkut, MSN, Facebook, procuro não me esquecer dos aniversários... Outros, apenas trago em meu coração, em minhas orações, pois se lhes dissessem o quanto são especiais para mim não acreditariam. Queria ser mais presente na vida dos meus amigos, na vida das pessoas que considero.
“A verdade é que nunca um tema me remeteu tanto à frase “Só sei que nada sei”, de Sócrates, quanto à amizade. Se me perguntarem hoje quantos são os meus verdadeiros amigos, apenas direi: não sei. Entretanto, sei muito bem as pessoas que considero como amigas, as pessoas pelas quais tenho amizade, as que quero muito bem. Haja o que houver sempre estarei ao lado delas quando precisarem ou não, porque quero ser para sempre, para todas as horas, boas e ruins. Isso eu sei.”


Então, se tenho amigos verdadeiros, que estarão ao meu lado sempre, não sei, e acho que só o tempo me dirá. De qualquer forma, continuarei fazendo o melhor que posso para me tornar presente na vida dos que quero bem. Por que amo a vida de cada um desses amigos... E tenho aprendido que amor é isso, não esperar pela iniciativa do outro, é decidir tomar a dianteira, é ofertar sem esperar nada em troca. Quando isso acontece, a amizade e o amor fluem e crescem.  
Hoje nessa minha saudade eu aproveito para dizer; Obrigada amigos, por existirem em minha vida!


Bjos

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